PORQUÊ PRESERVAR VARIEDADES TRADICIONAIS? 


A perda da biodiversidade agrícola, em todo o mundo, é da ordem dos 75%,
segundo estudo da FAO em 1984. A situação portuguesa contribui
certamente para este panorama, tendo em conta o número de variedades
desaparecidas nas últimas décadas das nossas hortas e pomares. Poderemos
apontar várias razões para esta situação.A generalização do uso de sementes híbridas na agricultura contribui
para aumentar a pobreza varietal e também para a dependência dos
agricultores: devido à degeneração e perda natural de vitalidade destas
sementes logo à segunda geração, a sua compra anual torna-se necessária.
O comportamento actual dos agricultores que deixam de colher sementes
das suas culturas, preferindo comprar os lindos pacotes que os cativam
com as fotografias e as promessas de boas colheitas, é outra destas razões.Por outro lado, a aglutinação das pequenas casas de sementes, geralmente
por parte das multinacionais do ramo, reduziu drasticamente a oferta de
variedades regionais e tradicionais, pois estas não têm qualquer
interesse económico num sistema globalizado. Por essa razão, hoje
cultivam-se as mesmas variedades por todo o mundo, não se adaptando
estas, como é óbvio, a todos os climas, microclimas e tipos de solos
existentes. Consequentemente, necessitam de uma gama enorme de biocidas
para completar o seu ciclo, contribuindo assim para os efeitos
sobejamente conhecidos de poluição a vários níveis, e para a redução da
qualidade alimentarAs variedades que empreenderam uma viagem ao longo de inúmeras gerações
para chegarem até nós, foram cuidadosamente criadas e acompanhadas,
muitas vezes com grandes sacrifícios, pelos nossos antepassados. São a
nossa herança mais preciosa, elas são a vida em forma de semente, são o
nosso passado sem o qual não existiria vida em nós. Cabe-nos portanto
dar continuidade a essa herança que nos foi tão generosamente cedida,
semeando estas variedades, dando-lhes vida e utilidade, podendo assim
ser vistos com orgulho por aqueles que nos antecederam, e também pelas
gerações vindouras.

OBJECTIVOS DA ASSOCIAÇÃO: 

– Inverter a situação actual de contínua perda de biodiversidade
genética agrícola, por meio da recolha, cultivo e catalogação das
variedades tradicionais ainda existentes;

– Formar e incentivar os agricultores para a recolha anual das suas
próprias sementes, assim como estimular a sua troca, assegurando-lhes
uma independência e autonomia em termos de sementeiras;

– Contribuir para o conhecimento do nosso património vegetal, promovendo
e participando em colóquios e feiras com exposição de sementes, levando
o tema onde for necessário;

– Promover o uso de variedades tradicionais em agricultura biológica por
estas estarem melhor adaptadas ao local de cultivo e terem menos
problemas fitossanitários;

– Estimular o uso de legumes esquecidos, para uma maior diversidade
alimentar e uma culinária mais rica, atractiva e completa;

– Dar a conhecer aos jovens a herança que nos foi transmitida pelos
nossos antepassados, pois cada semente tem um percurso e uma história
própria;

– Defender a segurança alimentar continuando a semear as nossas
variedades tradicionais de polinização aberta, perfeitamente adaptadas
ao seu meio de origem, em detrimento das práticas actuais que usam as
sementes híbridas e, no pior dos cenários, as sementes transgénicas ou
geneticamente modificadas.

COMO CONTRIBUIR? 

Para concretizar estes objectivos, que são do interesse de todos nós, é
necessária a contribuição do maior número de pessoas.
De que modo?

– Através da inscrição como sócio;

– Pela oferta de donativos ou géneros;

– Voluntariado em diversas áreas: parte administrativa, pesquisa e
trabalho de campo, recolha e propagação de sementes, inventariação,
outras áreas relacionadas com as actividades da associação;

– Ser sócio guardião de sementes: comprometendo-se a multiplicar a(s)
variedade(s) que apadrinhar, devolvendo à associação parte da sua
colheita anual, devidamente seleccionada. Este sócio deve ter assistido
previamente a uma oficina de formação sobre recolha, caracterização e
propagação de sementes. O sócio guardião é mencionado no catálogo de
variedades como reprodutor da semente que apadrinhar.